Minha Mãe
Publicado em
Por Livia G. Gerardi
Há pouco mais de dois anos, eu me encontrava de pé em frente a um grupo de pessoas em luto, enquanto escutava o discurso que preparei em homenagem à minha mãe ser lido. Quando estou triste eu releio aquele discurso, e um dia pensei o que eu mudaria agora que tenho uma nova perspectiva. Mesmo que eu concorde com praticamente tudo, senão tudo, o que eu disse, isso é o que eu diria hoje, se tivesse a oportunidade.
Quando alguém descreve a Kassia Gerardi, a maioria das pessoas diz que ela era “corajosa” e “forte”. Sim, minha mãe era essas duas coisas, mas eu não gosto da ideia de que ela seja conhecida apenas pela forma com a qual ela enfrentou o câncer. Ela era muito mais do que o câncer, algo que ela provou diariamente.
Minha mãe era paciente e solidária. Ela era carinhosa e sensível. Minha mãe era o tipo de mãe da qual se escrevem nas histórias. Uma pessoa com a qual eu tive o prazer de crescer junto, a qual muitas pessoas tiveram o prazer de conhecer.
Dois anos atrás enquanto eu estava lá de pé, eu percebi que não importa o quanto eu me sentisse isolada, eu não estava sozinha. Eu não estava de luto sozinha, eu nunca teria que ficar de luto sozinha. Minha mãe tocou a vida de muitas pessoas.
Minha mão pode ter morrido, mas ela nunca será esquecida. Ele teve um impacto muito grande para que nunca seja esquecida. Ela viveu para criar memórias, memórias as quais podemos nos agarrar. Todo dia com ela ao meu lado é uma memória.
Tem dias que é difícil acreditar que ela chegou a existir e, outros, no qual mal posso acreditar que ela não está mais aqui. Tem dias que fico muito feliz de ter minha família e outros no qual isso não parece ser suficiente sem ela.
Mas, com tudo isso, tem uma coisa da qual eu tenho certeza. Eu nunca vou cansar de chamar a Kassia Gerardi de minha mãe.
